• Sábado, 24 de Outubro de 2026

COMISSÃO ABRE CAMINHO PARA ASSISTENTES DE EDUCAÇÃO INFANTIL BRIGAREM POR AUMENTO SALARIAL


No centro da foto, Natali Pereira, representante das assistentes de educação infantil.

Depois de meses de mobilização, reuniões, uma audiência pública e negociações que chegaram a ameaçar paralisação, as assistentes de educação infantil de Campo Grande conquistaram nesta segunda-feira (16) a criação da comissão que vai definir o futuro do concurso público para a categoria.

Foi publicada no Diário Oficial do Município uma resolução que institui o Grupo de Trabalho Intersetorial responsável por discutir, organizar e propor encaminhamentos para as demandas da categoria, incluindo a questão do aumento salarial e a definição clara das atribuições das profissionais que cuidam das crianças da rede municipal de ensino.

O documento, assinado pelo Secretário Municipal de Educação Lucas Henrique Bittencourt, nomeia servidores e representantes para compor a comissão, que terá caráter formal, multissetorial e propositivo, visando a construção do edital do concurso. É a primeira vez, na história recente da categoria em Campo Grande, que uma estrutura como essa sai efetivamente do papel.

O mandato do vereador Landmark Rios (PT) foi um dos parceiros na construção desse processo, juntamente com o vereador Professor Juari, presidente da Comissão de Educação da Câmara Municipal. Desde o início da mobilização das assistentes, o parlamentar intermediou reuniões com o Executivo, participou de assembleias, apoiou a realização de audiências públicas na Câmara Municipal e manteve canal aberto de diálogo com a Secretaria de Educação para que as reivindicações da categoria fossem ouvidas institucionalmente.

“Essa comissão é o ponto de partida que a categoria precisava. Agora a luta pelo salário digno tem mesa, tem interlocutores, tem estrutura oficial. O que essas mulheres fazem nas escolas de Campo Grande vale muito mais do que recebem, e essa comissão existe para provar isso em números e em proposta concreta”, declarou Landmark Rios.

O QUE A COMISSÃO VAI FAZER
O Grupo de Trabalho tem a missão de analisar, discutir e propor encaminhamentos para as demandas da educação infantil da rede municipal, com foco especial na atuação quantitativa, na organização e nas atribuições dos profissionais que ocupam as funções de assistente de educação infantil e de assistente de educação inclusiva.

Na prática, isso significa que a comissão poderá olhar para questões como: quantas profissionais existem e quantas são necessárias por escola; o que de fato cabe a cada uma fazer dentro das unidades, acabando com o histórico desvio de função que jogava as assistentes para serviços de limpeza e cozinha; quais normativas precisam ser revisadas; e, de forma central para a categoria, qual deve ser a remuneração adequada para essas profissionais.

A resolução prevê ainda que o grupo realize levantamento de dados nas unidades escolares, avalie as normativas e práticas vigentes e elabore estudos, recomendações e propostas de diretrizes que contribuam para o aprimoramento do atendimento educacional e para a adequada organização do trabalho das assistentes.

Participam da composição representantes da SEMED (Secretaria Municipal de Educação), da SEMAD (Secretaria Municipal de Administração e Inovação), da SEGOV (Secretaria Municipal de Governo e Relações Institucionais), da SEFAZ (Secretaria Municipal de Fazenda), da PGM (Procuradoria Geral do Município) e da própria Câmara Municipal de Campo Grande, por meio da Comissão de Educação.

Do lado da categoria, integram o grupo a presidente do Sindicato dos Servidores Contratados da Administração Pública da Rede Municipal, Natali Pereira de Oliveira, além de Luciana Fátima Pessoli De Wit e do advogado Joaquim Soares de Oliveira Neto.

“NUNCA TINHA SAÍDO DO PAPEL”
Para Natali Pereira, presidente do sindicato da categoria, a publicação desta segunda-feira representa uma virada histórica, mesmo que a luta esteja longe de terminar. “Hoje foi publicado no Diário Oficial a comissão formada para a gente poder brigar pela categoria das assistentes de educação infantil e lutar pelo aumento salarial. Eu creio que isso é um avanço, porque nunca aconteceu, sempre havia sido na promessa, mas nunca saiu do papel. Hoje ter saído do papel é uma vitória, porque agora a gente vai poder ficar brigando pelo aumento salarial que a categoria tanto almeja, por condições melhores de trabalho, e pelo menos poder fiscalizar situações de perseguição, abuso de poder e assédio que acontecem com a categoria dentro de algumas escolas”, afirmou a sindicalista.

UMA LUTA QUE COMEÇOU NAS ASSEMBLEIAS E CHEGOU AO DIÁRIO OFICIAL
A conquista desta segunda-feira é resultado de uma trajetória que ganhou força em fevereiro deste ano, quando a categoria se reuniu em assembleia na sede do Sinticop-MS e definiu a pauta oficial de reivindicações, mantendo aberta a mesa de negociação com a Prefeitura mesmo diante de um cenário de tensão.

As demandas definidas naquela assembleia incluíam reajuste salarial para R$ 2.800, vale-alimentação de R$ 300, cumprimento da lei que garante abono de falta para acompanhamento de filhos em atendimento médico, regulamentação do limite de alunos por sala, fim do desvio de função e participação do sindicato na construção das regras do próximo concurso ou processo seletivo.

Algumas dessas pautas já começaram a avançar antes mesmo desta comissão. No início de março, o processo seletivo simplificado aberto pela Prefeitura para a contratação de 2 mil assistentes trouxe correções importantes: a nomenclatura do cargo foi ajustada para “Assistente de Educação Infantil” conforme previsto em lei, foi garantido o cumprimento do direito ao abono de faltas para acompanhamento de familiares em consultas médicas, e o desvio de função passou a ser formalmente vedado, avanços que a própria categoria atribuiu, em parte, à pressão exercida ao longo dos meses anteriores e ao papel articulador do mandato de Landmark Rios.

Ainda assim, a principal reivindicação, o aumento salarial, seguia sem resposta. Agora, com a comissão oficialmente instalada e publicada em Diário Oficial, é essa pauta que passa a ter um espaço formal, com representantes da categoria à mesa e o respaldo institucional necessário para ser debatida com profundidade.

 

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