PAIS DENUNCIAM CONDIÇÕES PRECÁRIAS NO TRANSPORTE ESCOLAR DA ZONA RURAL DE MIRANDA

Alunos enfrentam jornadas exaustivas, quebras constantes e insegurança; denúncias já foram protocoladas no Ministério Público

POR: REDAçãO, PRONTO FALEI. COM INFORMAçõES DO PORTAL INVESTIGA MS CREDITO: REPRODUçãO/INVESTIGA MS


O que deveria ser um direito básico garantido aos estudantes da zona rural tem se tornado um pesadelo diário para famílias em Miranda. Relatos colhidos pela reportagem expõem uma realidade de sucateamento, medo e exclusão educacional, com crianças sendo deixadas pelo caminho e perdendo conteúdos escolares devido às condições deploráveis dos ônibus municipais.


Pais de alunos, muitos sob condição de anonimato por receio de retaliações, definem a situação como uma “calamidade”. Entre os mais afetados, estão crianças com deficiência, que, além dos desafios cotidianos, são submetidas a horas de espera em veículos sem estrutura.


A ROTINA DE PRIVAÇÕES
A jornada desses estudantes começa antes do sol nascer. Para chegar à escola, muitos acordam às 2h30 da manhã. Ao embarcar, a segurança dá lugar ao risco. Os relatos dos pais são unânimes quanto às condições dos veículos:

ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Ônibus antigos, pneus carecas e falta de manutenção constante.
- SEGURANÇA: Ausência de cintos de segurança em veículos que trafegam por rodovias perigosas (como a BR).
- CONFORTO: Falta de ar-condicionado, submetendo as crianças a um calor extremo durante o trajeto.
- CONFIABILIDADE: Quebras recorrentes no meio do trajeto, deixando alunos ilhados.


"Alunos acordam 2h30 da manhã para entrar em um ônibus precário. Esse ano, duas vezes já estourou o pneu. Estragou três vezes e deixaram os alunos no meio da BR esperando socorro. As crianças já chegam esgotadas na fazenda. Como exigir aproveitamento de estudos destas crianças?", questiona Joshi Jose Bento Barbosa, mãe que flagrou um dos episódios de quebra em plena estrada.


O IMPACTO NA APRENDIZAGEM
O descaso não reflete apenas no cansaço físico, mas diretamente no desempenho escolar. A frequência de quebras e a demora no transporte têm resultado na perda de provas e de horas cruciais de aula.


A situação é ainda mais crítica para os pelo menos quatro estudantes com deficiência identificados pelos pais. Para essas crianças, a irregularidade do transporte não é apenas um inconveniente, mas um obstáculo severo ao processo de inclusão e aprendizado.


"Tem alunos laudados esperando por horas dentro desses ônibus. É uma situação de calamidade em todos os sentidos", desabafou uma das mães ouvidas pela reportagem.


MEDIDAS JUDICIAIS E SILÊNCIO DA PREFEITURA
Diante da falta de respostas da administração municipal, os pais decidiram levar o caso às autoridades competentes. Denúncias formais foram protocoladas junto ao Ministério Público Estadual (MPE) em Miranda e em Campo Grande, com o objetivo de obter uma solução urgente para o problema.


A indignação da comunidade se volta diretamente para a gestão atual. "É isso, senhor prefeito Fábio Florença, que sua secretária de Educação está oferecendo aos nossos filhos?", questiona uma das responsáveis.

 



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