Política
ALIADOS DE MS NÃO COMPRAM IDEIA DE EDUARDO BOLSONARO DE SUBSTITUIR PIX POR SISTEMA DOS EUA
FONTE: O JACARé POR: RICHELIEU DE CARLO CREDITO: REPRODUçãO
Parlamentares de Mato Grosso do Sul defensores do clã Bolsonaro se descolaram da proposta do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) de negociar o Pix com o governo de Donald Trump, que utiliza sistema similar chamado Zelle.
Os deputados federais Marcos Pollon e Rodolfo Nogueira, do PL, Dr. Luiz Ovando e a senadora Tereza Cristina, ambos do PP, não tocaram no assunto nos últimos dias. O senador Nelsinho Trad (PSD) declarou que “o PIX é do brasileiro, ninguém mexe e ninguém tira”. O ex-prefeito de Campo Grande não vai contar com apoio dos bolsonaristas na busca pela reeleição.
A reação da bancada sul-mato-grossense é o reflexo de como a declaração de Eduardo repercutiu mal e atingiu a campanha do senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Na quarta-feira (3), Eduardo disse que os EUA têm “mecanismos semelhantes ao Pix”. “O Pix dos Estados Unidos é o Zelle. Então, dá para você ir para a mesa de negociação dos americanos com bons argumentos. Dá para sentar, dá para negociar. Eles têm interesses que se complementam, como terras raras”, afirmou em entrevista à rádio TMC.
Depois de uma enxurrada de críticas, o filho de Jair Bolsonaro negou ter sugerido a troca do Pix pelo Zelle. Em vídeos publicados nas redes sociais, o ex-deputado exigiu “retratação” de veículos de imprensa que divulgaram a informação de que ele teria sugerido a troca do sistema brasileiro pelo Zelle. “Jamais falei em substituir o Pix. Sou pró-Pix e desafio a Globo e demais jornais a se retratarem”, disse.
O vídeo em que Eduardo compara o Pix ao Zelle está sendo compartilhado por apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e divulgam que ele e o irmão Flávio Bolsonaro estão “em conluio” com o governo norte-americano contra o sistema brasileiro.
Flávio, todavia, enquanto acusa a imprensa de desinformar, ele mesmo passa informações falsas. O ex-parlamentar afirmou que o Pix foi criado por Jair Bolsonaro, o que não é verdade. O Banco Central iniciou o processo de criação da plataforma em 2018, durante o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB).
De acordo com dados do Banco Central, o Pix é um sistema consolidado e popular no país. A plataforma tem mais de 170 milhões de usuários e já chegou a realizar, em janeiro de 2026, sete bilhões de transações, alcançando R$ 3 trilhões de volume de transações, marca registrada em outubro de 2025.
