• Terça, 29 de Setembro de 2026

SOBREVIVENTE DE GRAVE ACIDENTE COM AMBULÂNCIA É ABANDONADA HÁ 4 DIAS À PRÓPRIA SORTE

"Vim transferida para fazer a cirurgia e ela não aconteceu... Fico em jejum o dia todo à espera de um milagre que nunca chega."

POR: REDAçãO, PRONTO FALEI CREDITO: REPRODUçãO


A dor física de múltiplas fraturas deveria ser o único fardo de quem sobrevive a uma tragédia nas rodovias. No entanto, para a técnica de enfermagem Laryssa Figueredo Loubet Guilha, de 39 anos, o verdadeiro pesadelo começou depois de dar entrada em um hospital de referência.

 

Quatro dias após escapar com vida de um violento acidente entre uma ambulância de Bela Vista e uma carreta ocorrido na última quinta-feira (24) na BR-060, Laryssa continua deitada em uma cama da Santa Casa de Campo Grande, subjugada pela negligência, pela falta de empatia e pelo descaso absoluto da equipe médica e da direção do hospital.

 

Encaminhada inicialmente para Sidrolândia e transferida na madrugada de sexta-feira (25) com uma vaga regulada especificamente para exames e cirurgia no pé e no tornozelo, Laryssa encontrou portas fechadas para a dignidade humana.

 

O que deveria ser um atendimento ágil transformou-se em uma rotina de humilhação e tortura psicológica.

 

No sábado (26) e novamente no domingo e nesta segunda-feira (28), a paciente foi submetida a rigorosas dietas zero (jejum prolongado) sob a promessa de que finalmente passaria por cirurgia, para depois ser avisada, friamente, que o procedimento havia sido cancelado.

 

Laryssa relata que, no domingo inteiro, nenhum profissional de saúde sequer apareceu para avaliá-la. A negligência médica grita em um setor de trauma onde o juramento de Hipócrates parece ter sido esquecido.

 

Com fraturas graves nas vértebras, a técnica de enfermagem está totalmente imobilizada, incapaz de sentar ou levantar sozinha. Mesmo com exames pendentes, como uma ressonância marcada, a falta de um especialista de plantão demonstra a desorganização crônica da instituição.

 

É revoltante que uma profissional da própria saúde, alguém que dedicou a vida a cuidar do próximo seja tratada como um mero número descartável nas estatísticas da Santa Casa. Onde estão os diretores do hospital? Como a administração permite que uma sobrevivente de politraumatismo fique quatro dias internada, sofrendo dores atrozes, sem um plano cirúrgico definido e sendo alvo de idas e vindas desumanas com jejuns desnecessários?

 

A omissão dos médicos responsáveis e a inércia da direção escancaram um sistema de saúde falido pela desumanidade. Laryssa lutou pela vida nas ferragens da BR-060, mas agora precisa lutar contra a indiferença daqueles que juraram salvar vidas.

 

Até quando pacientes continuarão sendo tratados com tamanho escárnio e falta de respeito em unidades que deveriam ser santuários de cura, mas que se tornaram corredores de abandono?

 

O ACIDENTE

A técnica de enfermagem estava na parte traseira da ambulância de Bela Vista no momento do acidente. Segundo ela, três pessoas estavam no compartimento traseiro, enquanto o motorista e um enfermeiro ocupavam os bancos da frente. “Eu estava dormindo. Viemos em três na parte de trás. Saiu fora da estrada, acordei com o impacto. Eu caí no chão e a dona caiu em cima de mim. O impacto foi muito forte”, contou.

 

A paciente que estava sendo transportada na ambulância, Teófila Vasques, morreu após o acidente. Segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Bela Vista, ela havia recebido alta após tratamento contra o câncer e retornava para o município quando a ambulância bateu na traseira de uma carreta, no km 464 da BR-060.

 

A redação segue com o espaço aberto para manifestações da Santa Casa de Campo Grande e da equipe médica responsável.

 

 



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