• Sexta, 02 de Outubro de 2026

O AVANÇO SILENCIOSO DA GUERRA DE FACÇÕES EM MATO GROSSO DO SUL

Disputas territoriais entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho impulsionam um salto de mais de 21% nos homicídios no estado. Cidades-chave como Dourados, Campo Grande e os municípios da região norte registram o rastro da violência

POR: REDAçãO, PRONTO FALEI CREDITO: SUZY RIBEIRO/PRODUZIDO POR IA


O Mato Grosso do Sul vive uma de suas fases mais tensas e violentas no combate ao crime organizado. Impulsionado por uma guerra sangrenta pelo controle das rotas de tráfico de drogas e armas na fronteira, o estado acumulou, até o final de setembro de 2026, 403 vítimas de homicídio doloso. O número representa um crescimento alarmante de 21,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram registradas 332 mortes.

 

O cenário desenhado por levantamentos jornalísticos e relatórios de segurança pública revela que a violência deixou de ser um privilégio de áreas isoladas de fronteira e passou a ditar o ritmo nos grandes centros urbanos e no interior sul-matogrossense, com forte impacto em cidades estratégicas como Dourados, Campo Grande e os municípios da região norte.

 

Segunda maior cidade do estado e principal polo da região sul, Dourados tem ocupado uma posição central nas investigações sobre o avanço das facções criminosas. Sendo rota obrigatória para o escoamento de ilícitos vindos do Paraguai, o município registra um cerco implacável das forças de segurança.

 

Apenas nas últimas semanas de setembro de 2026, operações integradas da Polícia Civil e da Polícia Militar miraram células logísticas do Comando Vermelho e do PCC atuando na região douradense. Os tentáculos do crime organizado na cidade que vão desde a extorsão e o "tribunal do crime" até o tráfico interestadual, têm gerado execuções com características de acerto de contas, acendendo o alerta vermelho para as autoridades de segurança pública locais e estaduais.

 

Enquanto o sul experimenta a pressão do narcotráfico transfronteiriço, a região norte do estado tornou-se palco de confrontos diretos de alta intensidade entre suspeitos armados e as forças policiais.

 

Um levantamento jornalístico divulgado no final de setembro escancarou um salto de 575% em confrontos fatais decorrentes de intervenções policiais na tentativa de conter células criminosas em expansão pelo interior. A rota da violência letal concentrou-se severamente em municípios como:


- Coxim: 9 mortes em confrontos
- Costa Rica: 5 mortes
- Rio Verde de Mato Grosso: 5 mortes
- Sonora: 4 mortes
- São Gabriel do Oeste: 2 mortes
- Figueirão e Pedro Gomes: 1 morte em cada

 

Frente ao avanço da criminalidade letal, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) intensificou as respostas operacionais. No dia 25 de setembro de 2026, uma megaoperação coordenada cumpriu dezenas de mandados de prisão e busca em Campo Grande, Rio Brilhante e Dourados.

 

A ofensiva resultou não apenas no desmantelamento de núcleos financeiros de facções, mas também no resgate de vítimas mantidas em cárcere privado e submetidas a sessões de tortura por "disciplinas" do crime. Peritos criminais e delegados reforçam que a meta é asfixiar as lideranças que tentam transformar o solo sul-matogrossense em praça de guerra permanente.

 

Com a escalada dos indicadores, a população cobra respostas enérgicas, enquanto as forças de segurança mantêm o estado de prontidão máxima para conter o avanço do crime organizado em todas as regiões do estado.

 

A rota do tráfico em Mato Grosso do Sul continua a cobrar um preço alto em vidas humanas. Com facções disputando palmo a palmo o controle das rotas e das cidades, o desafio das forças de segurança deixou de ser apenas reativo para se tornar uma corrida contra o tempo pela preservação da ordem pública.

 



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