Eleições 2026
MS ELEGE MAIOR BANCADA FEMININA DA HISTÓRIA NA CÂMARA FEDERAL
Com 50% das cadeiras na Câmara dos Deputados, Camila Jara, Rose Modesto, Mara Caseiro e Isa Marcondes quebram a hegemonia masculina na representação do Estado em Brasília
POR: DIANA CHRISTIE CREDITO: ANDRé DE ABREU VER MENOS
As urnas deste domingo (4) consolidaram um marco sem precedentes na história política de Mato Grosso do Sul. Pela primeira vez, a bancada federal do Estado na Câmara dos Deputados atingiu a paridade exata de gênero. A eleição de Camila Jara (PT), Rose Modesto (União Brasil), Mara Caseiro (PL) e Isa Marcondes (Republicanos) garante às mulheres o controle de quatro das oito cadeiras sul-mato-grossenses em Brasília, reconfigurando o mapa de poder do Estado.
O ineditismo numérico, contudo, não significa a formação de um bloco homogêneo de atuação. A radiografia da nova bancada feminina espelha a própria polarização e a complexidade do eleitorado de Mato Grosso do Sul. As quatro deputadas eleitas ocupam espaços e transitam por espectros ideológicos completamente distintos, o que indica que a fidelidade aos seus nichos partidários ditará o ritmo dos mandatos.
Na extrema ponta progressista, Camila Jara (PT) conseguiu blindar seu mandato contra a onda conservadora que varreu o Estado nas disputas majoritárias. Como única representante da esquerda entre os 11 parlamentares federais de MS, incluindo o Senado, Jara foi ancorada no voto jovem e nos movimentos sociais da Capital.
Em contraponto direto, Isa Marcondes (Republicanos) emerge como o novo fenômeno da direita combativa no interior. Com forte inserção na região da Grande Dourados, Marcondes canalizou o voto de opinião conservadora, prometendo uma atuação de enfrentamento no Congresso Nacional, alinhada às pautas de segurança pública.
Também da direita, mas ao centro da balança, gravitam duas forças consolidadas da política estadual. Rose Modesto (União Brasil) reafirma seu capital eleitoral na região central e periférica de Campo Grande. Com um histórico em pautas de assistência social e educação, Rose mantém uma postura de independência pragmática em temas de bem-estar social enquanto vota com a direita em projetos econômicos.
Já Mara Caseiro (PL) chega a Brasília chancelada pela força da máquina municipalista. Tradicional aliada do Parque dos Poderes e ex-líder de governo na Assembleia Legislativa, sua eleição reflete o peso do agronegócio no Cone Sul e a capilaridade dos prefeitos aliados à base do recém-reeleito Eduardo Riedel (PP) e do agora senador Reinaldo Azambuja (PL).
O IMPACTO NAS PAUTAS DO CONGRESSO
Do ponto de vista da ciência política, a ocupação de 50% das cadeiras por mulheres rompe o teto de vidro em um Estado historicamente dominado por figuras masculinas ligadas ao setor agropecuário. A dinâmica em Brasília, no entanto, testará os limites da chamada "bancada feminina".
Em votações de pautas de gênero, combate à violência contra a mulher e primeira infância, é possível que o quarteto atue de forma suprapartidária. Porém, nos grandes embates econômicos e territoriais, como demarcações de terras indígenas, política ambiental e reformas estruturantes, a tendência é que a cisão ideológica fale mais alto. Jara estará sozinha na trincheira à esquerda.
