• Quarta, 28 de Outubro de 2026

SE OS NÚMEROS FALASSEM, QUAIS CONSELHOS TRARIAM?

FONTE: DOURADOS EM PAUTA POR: VINICIOS ARAúJO CREDITO: REPRODUçãO/PRONTO FALEI


Fonte: Dourados em Pauta Por: Vinicios Araújo Credito: Reprodução/Pronto Falei

O líder do prefeito Alan Guedes (PP) na Câmara de Dourados, vereador Sérgio Nogueira (PP), demonstrou apreço pela manifestação popular nas pesquisas de avaliação aos gestores públicos. Durante tentativa de explicação da sua fala polêmica, que resultou em diversas manifestações de repúdio e denúncia na Comissão de Ética da Casa Legislativa por indícios de homofobia, o parlamentar expôs na tribuna números que demonstram a insatisfação do povo gaúcho com o governador Eduardo Leite (PSDB).

Bem deve saber o parlamentar, que atua como ‘peito de aço’ do prefeito Alan Guedes nos debates da Câmara, que os números mais recentes registrados no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul apontam uma liderança não tão agradável para o chefe do Poder Executivo douradense.

O fato é que, segundo o levantamento mais recente registrado pelo Instituto Ranking, Alan é rejeitado por 25% da população. A primeira pesquisa registrada pelo mesmo instituto, apontava rejeição de 19,5%, ou seja, a percepção negativa do douradense vem crescendo a respeito do atual prefeito.

O que torna a vida de Alan Guedes ainda mais difícil junto ao eleitorado é o fato do segundo nome mais rejeitado, o petista Tiago Botelho, estar 11 pontos percentuais distantes, sendo registrado 14% de rejeição contra o professor.

A pesquisa, realizada em abril deste ano junto a 1.000 moradores do município com 16 anos ou mais de idade, coloca na sequência da rejeição Teixeira Júnior com 5,6%, Bela Barros com 4,8%, Racib Harb com 3,6%, Wilson Matos com 3,2%, Barbosinha com 3%, Marçal Filho com 2,4%, Jeferson Bezerra com 1,6%, Ferrinho com 1,4%, e Guto Nantes com 1,2%. 34,2% dos entrevistados não sabem ou não responderam.

Segundo Gaudêncio Torquato, articulista do Jornal da USP, “quando um candidato registra um índice de rejeição maior que a taxa de intenção de voto, é bom começar a providenciar a ambulância para entrar na UTI eleitoral. A rejeição constitui uma predisposição negativa que o eleitor adquire e conserva em relação a determinados perfis”.

Talvez o prefeito Alan Guedes não tenha se dado conta de que, apesar do esforço midiático em parecer um bom gestor, a realidade da percepção popular pode estar contrastada com o que a bolha do mandatário tenta convencê-lo.

O que talvez tenha faltado para o prefeito Alan Guedes é a compreensão de que seu cargo não está acima daqueles a quem sua função é destinada. O sábio afirmou no Provérbio 14:28 que “a grandeza de um rei depende do número de pessoas que ele governa; sem elas ele não é nada”. É certo que Alan sabe na ponta da língua o número de pessoas que dependem diretamente das suas decisões, mas o que ele talvez não tenha se atentado é que tais medidas poderiam estar distanciadas das reais prioridades desse povo.

E o povo, que antes era facilmente manipulado em razão da centralização da comunicação e o período analógico que beneficiava a retratação do político em seus “últimos suspiros” de mandato, agora tem nas mãos uma ferramenta poderosa que não só recorda a negligência do Poder Público, como também dissemina de maneira rápida e incontável, os danos de escolher um mal gestor nas urnas.

A jornada de Alan Guedes desde a sua eleição é, talvez, um ponto de reflexão aos políticos, dos mais jovens aos mais experientes. Mostra que narrativas só se sustentam com prestação de serviço, e que competência só se confirma com prestação de serviço, e que o planejamento de trabalho tem que colocar, antes de qualquer coisa, o interesse direto do cidadão. Caso contrário, o tão sonhado projeto de cuidar de Dourados não deverá ultrapassar os 4 anos de um mandato medíocre e desaprovado.

 



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