Policial
PREVENÇÃO E CASOS DE RISCO SÃO TRABALHADOS EM CONJUNTO CONTRA VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS DE DOURADOS
FONTE: DOURADOS NEWS POR: GIZELE ALMEIDA CRéDITO: FABIANA OLIVEIRA E GM
Nas 45 escolas da Reme (Rede Municipal de Ensino), 36 Ceim’s (Centros Educacionais Municipais Infantis), mais de 20 unidades da Rede Estadual e dezenas de unidades privadas de Dourados, perpassam milhares de famílias diariamente para que crianças, adolescentes e jovens tenham acesso à educação. Para proporcionar um ambiente seguro principalmente para os alunos, instituições de segurança pública, corpo pedagógico, entre outros profissionais seguem ‘alinhados’ e investindo constantemente em ações educativas de uma forma geral.
Uma aproximação com as famílias em casos de comportamentos dos menores que acendam alerta das autoridades, tem sido uma das alternativas no trabalho cotidiano realizado na maior cidade do interior de Mato Grosso do Sul, tendo em vista prevenção de ações violentas. Há um ano, um atentado ocorrido em uma unidade escolar de Blumenau (SC), quando um homem com um machado invadiu o local e atacou crianças, acendia debates sobre segurança escolar em todo o país.
Em Dourados não foi diferente e, na época, audiência pública sobre o tema e reuniões entre órgãos de segurança para planejamento de medidas preventivas ocorriam.
O trabalho conjunto das autoridades de segurança é permanente nas escolas conforme informado à reportagem. Além disso, como explica o comandante Nelson Vieira, da 9 ª CIA da Polícia Militar, existe o NISE (Núcleo de Segurança Escolar), para avaliar e dar tratativas às situações que possam representar algum risco para a comunidade.
“Dentro do policiamento preventivo vamos conhecendo o público, os alunos. Os coordenadores têm o histórico escolar e quando existem comportamentos que merecem uma atenção, o que chamamos de possíveis potenciais ativos, a gente faz um trabalho mais aproximado junto a esse aluno, para saber mais do cotidiano dele, rede de contatos, grupos que participa, sempre com muita cautela sobre o que é questão administrativa e o que é uma ação que pode necessitar de intervenção”, explica ao destacar que esse trabalho envolve além da PM, a Polícia Civil e a Guarda Municipal e o Núcleo conta com grupo pedagógico, psicólogos e outros profissionais.
Laura Andreia Alves Garcia, do setor de projetos da PM, cita que durante as rondas, as orientações para o núcleo escolar são de suma importância, no intuito de proporcionar mais tranquilidade em um todo.
“Nossas equipes dão apoio para identificar fragilidades, verificar portões, acessos, direcionar caso precise de maior permanência de um profissional por mais tempo durante o maior fluxo de pessoas nas unidades. Orientamos quanto ao controle do acesso, saber conduzir as pessoas não ligadas a rede de ensino, tem que ter uma triagem, perguntar o que querem no local, isso já inibe pessoas com segundas intenções”, destaca.
Outro ponto citado pelo comandante Vieira é quanto a orientações constantes sobre o bullying, o que tem sido abordado com alunos e familiares. Esse tipo de situação requer atenção ‘dobrada’, como explica o policial.
“Temos um trabalho diário de orientação quanto a bullying, sempre estamos também fazendo palestras escolas públicas, privadas. O que se nota em casos já registrados no país, é um potencial de uma pessoa que sofreu bullying ficar revoltado com o ambiente escolar e talvez externalizar isso de uma maneira mais violenta, então temos a preocupação com isso. Nós fazemos muitos contatos com os pais, nesse aspecto temos uma operação em andamento que é a escola segura, família forte, então não é apenas o ambiente escolar, nós também temos cuidado do ambiente familiar. Quando temos situações, as crianças e os pais tem o acompanhamento, e existe esse trabalho composto pela rede para poder trabalhar com esse tema tão sensível, explica”.
Durante as rondas escolares, outros ilícitos como oferta de entorpecentes ou de bebidas alcoólicas para menores nas dependências das escolas, crimes de trânsito também são observados.
Levantamento da Guarda Municipal aponta que em 2023, as equipes da Ronda Escolar realizaram aproximadamente 11 mil rondas registrando 445 boletins de atendimentos e apoio à comunidade escolar.
Conforme a direção da Guarda, essas ações contribuíram para segurança dos alunos e de toda comunidade escolar, com as rondas sendo realizadas na região externa do colégio e no seu interior, onde as irregularidades são todas observadas e levadas o conhecimento da direção escolar.
O órgão também destaca estar cotidianamente agregando outras ações para segurança escolar com palestras nas escolas, com temas: Bullying, Violência Escolar, Trânsito, Meio Ambiente, Uso de Álcool e drogas.
Outro ponto enfatizado, é que recentemente a GM implantou a Ronda Escolar Comunitária Indígena, no intuito de atender cerca de 6 mil alunos indígenas.
Nas escolas da Rede Estadual de Ensino, equipe da Seape - Serviço Especializado de Apoio ao Processo Educativo acompanha a rotina escolar, desenvolvendo o diálogo com os estudantes, os familiares, professores, coordenadores, diretores e demais profissionais inseridos na educação.
Conforme explica Paulo Ramsés da Costa, psicólogo na Coordenadoria Regional de Educação, quando são identificadas suspeitas ou violações e violências, a equipe escolar entra em contato com o Seape que orienta ‘caso a caso’ e auxilia nos fluxos de encaminhamento para a rede de proteção, saúde e segurança.
“Além dos encaminhamentos, a escola desenvolve projetos de prevenção, promoção da saúde e garantia de direito dos estudantes, e muitas destas ações são desenvolvidas em parceria com o Seape, onde ocorrem palestras com as temáticas, oficinas, rodas de conversas e a produção de materiais pedagógico com as respectivas temáticas. O trabalho do Seape em parceria com as escolas tem sido muito positivo, as ações são orientativas e informativas e quando necessário é realizado o atendimento em rede”, pontua.
