Cotidiano
MESMO COM RECURSOS DE EMENDAS, PREFEITURA DE DOURADOS NÃO AGE E CCZ CONTINUA COM ESTRUTURA ULTRAPASSADA
FONTE: PRONTO FALEI POR: REDAçãO CREDITO: ARQUIVO/DIVULGAçãO
Louvável a iniciativa do vereador Olavo Sul em proceder, junto com servidores de algumas secretarias, uma reforma emergencial na horrível sede do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), inaugurada em 1996 e desde então jogada às traças e cumprindo, devido as limitações de pessoal e estrutura, muito à “meia boca” a sua finalidade.
Enquanto o vereador colocou a mão na massa e ajudou a prefeitura a cumprir sua obrigação, dormita em alguma Secretaria 250 mil reais viabilizados pelas senadora Soraya Tronicke.
A bem da verdade e conquanto, reiteramos, seja louvável a inciativa do vereador, o fato é que o CCZ é uma estrutura ultrapassada, inadequada para algumas de suas finalidades, notadamente o atendimento ás centenas de cães e gatos que perambulam pelas ruas da cidade ou mesmo que possuem tutores. Não fosse a abnegação de pessoas como os membros das entidades Refúgio dos Bichos e Abana Rabo, a situação seria ainda mais caótica.
Para se ter uma ideia, o número de animais domésticos abandonados nas ruas de Dourados cresceu pelo menos 70% durante a pandemia, segundo estimativa da ONG Abana Rabo. A crise econômica provocada pelo coronavírus é um dos principais fatores que motivaram este aumento. Com o desemprego e a queda na renda familiar, muitos tutores acabam abandonando os animais nas ruas, sem saber que na verdade estão cometendo um crime.
Nas ruas, os animais têm dificuldades para encontrar alimento e abrigo e estão sujeitos a brigas, atropelamentos e maus-tratos, além do risco de contrair doenças. No momento do resgate, muitos animais estão bastante debilitados, além de desnutridos. Normalmente apresentam doenças como cinomose, parvovirose, sarna e leishmaniose, além de fungos, vermes e até doenças venéreas. Depois de resgatado e tratado, o animal é liberado para adoção.
Outra grande preocupação da entidade é quanto ao aumento na população de animais, já que boa parte não é castrada e fica nas ruas se reproduzindo de forma descontrolada. Os gatos são abandonados em maior número nas ruas. Acontece casos da entidade receber denúncias de “ninhadas” de filhotes de gatos abandonados.
Aqui cabe um parêntesis: quando não se quer fazer, não se faz mesmo tendo as condições para fazer. Dá-se um jeitinho aqui, outro ali e na base do improviso vai seguindo o baile.
Em 2021 a Prefeitura de Dourados recebeu recursos por meio da emenda parlamentar do deputado estadual Marcio Fernandes. O valor de R$ 150 mil era destinado ao CCZ para aquisição de trailer de castração de animais, um castra móvel, com contrapartida de R$ 15 mil da prefeitura. A Prefeitura, em um raciocínio difícil de entender, preferiu usar os recursos para pagar clinicas privadas para efetuarem o procedimento. Não seria melhor investir um pouco mais e comprar e equipar um trailer, como previa a ideia original do deputado?
Essa temática dos animais deixou de ser vista como “frescura” e preocupa todos os setores da sociedade, pelo risco à saúde pública que os animais doentes representam.
Em julho de 2023 membros da Comissão de Defesa dos Direitos dos Animais da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Subseção Dourados, e do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais estão propondo alterações na Lei Municipal 3.180, de 03 de dezembro de 2008, que dispõe sobre a posse responsável, o bem-estar animal, o controle de natalidade e a proteção de populações animais no município de Dourados.
Um dos temas mais candentes na reunião foi exatamente as competências do Centro de Controle de Zoonoses, tempo de estadia de animais recolhidos ao CCZ, estrutura adequada para acolher os animais, valores de multas para crimes de maus-tratos, entre outras.
Enquanto as entidades se mobilizam, o CCZ faz o que pode. Acontece que quando se trata de saúde pública não se pode usar o “jeitinho brasileiro” ou deixar recurso parado. Isso é incompetência. O CCZ precisa de canis, de veterinários e a cidade, em um olhar mais ampliado, precisa de um centro de recuperação de animais como cães e gatos. Essas e outras demandas seriam atendidas se a Prefeitura tivesse projeto, vontade política. Recuso tem. Falta mesmo é atitude, agilidade e um olhar mais atento à causa animal, como já fazem as entidades de defesa dos animais e a OAB.
