• Segunda, 03 de Agosto de 2026

CURTA INDÍGENA DÁ VOZ A JOVENS LGBTQIAPN+ E RESGATA MEMÓRIA ANCESTRAL

'HENDY'A RAPYKWERE' FOI GRAVADO EM DOURADINA E DOURADOS COM ELENCO 100% INDÍGENA

FONTE: TOP MíDIA NEWS POR: MéRI OLIVEIRA CREDITO: MARIANE LOPES / MARCUS TELES


As gravações do curta-metragem “Hendy’a Rapykwere” foram concluídas na última semana em Douradina e Dourados. A produção de 17 minutos une documentário, ficção e realismo fantástico para abordar a luta e a espiritualidade de jovens indígenas LGBTQIAPN+, um marco inédito no cinema brasileiro.

O filme tem elenco totalmente indígena e equipe técnica formada majoritariamente por pessoas negras, pardas e indígenas do interior de Mato Grosso do Sul, reafirmando o compromisso com a representatividade. A narrativa acompanha Gualoy KG, jovem Guarani-Kaiowá de 20 anos e liderança do coletivo Juventude Indígena Diversidade Guarani/Kaiowá MS.

No enredo, realidade e mito se entrelaçam. Surge a figura de Tybyra do Maranhão, indígena Tupinambá executado em 1614 por colonizadores franceses, considerado a primeira vítima LGBTQIAPN+ das Américas. Interpretada pela atriz trans indígena Andrya Kiga, Tybyra reaparece como guia espiritual e símbolo de resistência.

Para o diretor e roteirista Marcus Teles, o filme é fruto de criação coletiva: “Esse trabalho existe porque a comunidade o moldou. Sou apenas um facilitador para que essas vozes ecoem”. Já a produtora Michele Kaiowá destaca a coragem da obra: “É uma afirmação de que precisamos mostrar ao mundo a luta dos jovens indígenas LGBTQIAPN+”.

As filmagens também marcaram os envolvidos. “Essa atuação é uma forma de liberdade espiritual. O colar entregue por Tybyra trouxe a lembrança da minha avó e a força da minha ancestralidade”, relata Gualoy. Para Andrya Kiga, dar corpo a Tybyra foi uma experiência espiritual: “É um corpo apagado pela violência colonial, mas que agora retorna como abraço de esperança”.

Com apoio da PNAB(Política Nacional Aldir Blanc), via Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, o curta segue agora para montagem e finalização. A previsão é circular por festivais, mostras e universidades, fortalecendo a representatividade do cinema indígena LGBTQIAPN+ no Brasil.

 



Ao utilizar nossos serviços, você aceita a política de monitoramento de cookies.
Para mais informações, consulte nossa política de cookies.