Cotidiano
DE FAVELA A BAIRRO, SANTA FELICIDADE ESPERA CHEGADA DOS SERVIÇOS PÚBLICOS E LUTA CONTRA DISCRIMINAÇÃO
FONTE: PRONTO FALEI POR: REDAçãO CREDITO: DIVULGAçãO
Localizado aos fundos do Jóquei Clube e bairro Estrela Verá, o bairro Santa Felicidade está vivendo a “Síndrome do Cachoeirinha”. Cachoeirinha, todos sabem, é o bairro que de tido “maldito” no seu início de formação hoje abriga grandes empreendimentos comerciais, as casas foram alteradas para melhorar o seu projeto inicial e, enfim, é muito bendito por quem lá mora ou trabalha.
O bairro, como muitos na cidade, é resultado de uma invasão ocorrida em 2015. Em 2019, Deodora Cesar Pinto, mais conhecida como Dora, foi eleita a primeira presidente da Associação de Moradores do bairro Santa Felicidade, sendo que recentemente foi reeleita pela comunidade para exercer mais um mandato.
Segundo Dora, cadastrados e morando nas residências são 339 famílias. Ela disse que a maioria das famílias acabaram cedendo parte de seus lotes ou terrenos para filhos ou um membro da família construírem suas casas para morar perto da família. “Tem lote ali que tem 3 casas construídas no mesmo terreno”, afirmou Dora ao Pronto Falei.
Estima-se que haja aproximadamente mil famílias morando no bairro, que carece de todo tipo de infraestrutura. A energia elétrica é clandestina, a água é obtida porque a Sanesul instalou um posto de atendimento e os moradores compraram e instalaram mangueiras até as residências, sendo que essas mangueiras ficam a amostra em cima do solo.
Há 60 dias atrás, uma equipe da prefeitura esteve reunida com a presidente e alguns moradores e fizeram várias promessas/compromissos: patrolamento e alargamento das ruas, regularizar e implantar um sistema subterrâneo de água, posteamento para distribuição da energia elétrica hoje obtida através dos perigosos “gatos” e que também nos próximos meses estaria entregando os títulos de propriedade para cada um do moradores do bairro.
60 dias se passaram e nenhuma melhoria foram vistas no local até o fechamento dessa reportagem.
Dentre os componentes da equipe da prefeitura que se reuniram com Dora, estava: Diego Zanini, diretor presidente da Agência Municipal de Habitação e Interesse Social – secretário de Obras Públicas, Luis Gustavo Casarin – secretário de Serviços urbanos, Marcio Antônio do Nascimento e uma equipe técnica de engenheiros da prefeitura para, segundo eles, fazer um levantamento para o início dos trabalhos dentro do bairro. O Pronto falei tem um vídeo que mostra os servidores, notadamente Zanini, fazendo as promessas. No bairro não desce serviço de coleta de lixo nem transporte coletivo.
A presidente do bairro disse que acredita nas propostas dos secretários que estiveram lá e que tem a certeza que vão cumprir com todas as promessas de melhorias que fizeram durante a reunião. “Nós não acreditamos que eles vieram aqui só mentir pra gente e deixar o bairro nessa situação. Somos trabalhadores, famílias inteiras que precisam dessas melhorias. Será uma vergonha pra mim, como presidente da associação, e uma decepção para todo os bairro se eles não aparecerem aqui para fazer esses tão necessários serviços e cumprirem o que disseram”, disse Dora.
Outro drama enfrentado pelos moradores é o preconceito. Tal como a Cachoerinha de antigamente, há uma discriminação aberta em relação aos que ali residem. O Santa Felicidade até hoje é chamado de “favelinha”, apelido de quando foi iniciado. “A questão dos aplicativos como Uber e outros que quando ficam sabendo que a chamada é de lá, eles cancelam, o pessoal que entregam curriculuns nas lojas, quando o dono da loja faz a entrevista e descobre que moram lá, disfarçam e diz que vai ligar e nunca mais ligam.
Outra coisa é que a maioria dos meios de comunicação chamam de favelinha em suas matérias e também quando fecham boca de fumo ali perto eles já dizem que foi lá”, relatou a presidente da associação, que espera que com as obras prometidas durante a reunião e com uma campanha de conscientização os moradores tenham a felicidade do que o bairro leva no nome.
