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CÂMARA DE DOURADOS CANCELA CONTRATO DE R$ 400 MIL APÓS NOTAR QUE SERVIÇO É GRÁTIS HÁ 26 ANOS
POR: REDAçãO PRONTO FALEI CREDITO: ARQUIVO
Imagine pagar caro por algo que o governo federal oferece de graça desde a virada do milênio. Foi exatamente isso o que aconteceu na Câmara Municipal de Dourados. Em uma decisão que mistura o resgate do bom senso com um profundo constrangimento institucional, a presidente da Casa, vereadora Liandra Brambilla (PSDB), cancelou unilateralmente um contrato de mais de R$ 400 mil com uma empresa privada. O motivo? Ela "descobriu" que o serviço é gratuito.
A decisão foi publicada no Diário Oficial do Município. O contrato era com a empresa Lamper Digitalização e Sistemas, de Campo Grande, contratada pela gestão anterior para fornecer e dar treinamento de um sistema legislativo eletrônico via web.
De acordo com o despacho da presidência, a rescisão ocorreu por "interesse público", já que a Câmara vai adotar o SAPL (Sistema de Apoio ao Processo Legislativo). O detalhe que transforma o caso em piada de mau gosto com o bolso do contribuinte é que o Senado Federal disponibiliza esse sistema de graça para todas as Câmaras do Brasil desde o início dos anos 2000.
Ou seja: o município de Dourados passou décadas ignorando uma ferramenta gratuita para gastar uma fortuna com iniciativa privada.
O contrato com a empresa particular havia sido renovado em setembro do ano passado e valeria até agosto deste ano. O custo para os cofres públicos seria de exatos R$ 401.356,24.
MAIS FREIO NOS GASTOS: LICITAÇÃO DE PASSAGENS AÉREAS TAMBÉM É SUSPENSA
O "pente-fino" na Câmara não parou no sistema digital. Na mesma edição do Diário Oficial, a presidência suspendeu o Pregão Eletrônico 008/2026, que previa torrar R$ 159 mil com uma agência de viagens para emitir, remarcar e cancelar passagens aéreas nacionais para os parlamentares.
A justificativa oficial para barrar a licitação foi a necessidade de "revisão do edital", após uma empresa do Rio de Janeiro questionar as regras do jogo e pedir a impugnação do processo. A promessa da Câmara é corrigir os erros e lançar a licitação novamente em uma nova data.
Casos como o de Dourados acendem um alerta vermelho sobre como o dinheiro dos impostos é gerido no Brasil. A "descoberta" tardia de um serviço gratuito que existe há mais de duas décadas escancara duas possibilidades igualmente graves: ou falta gestão técnica básica para pesquisar alternativas econômicas, ou há uma tremenda facilidade em assinar cheques polpudos com o dinheiro do povo.
Desta vez, o contrato foi cancelado antes de terminar. Mas fica a pergunta no ar: quantos outros "serviços grátis" estão custando caro para o cidadão douradense neste exato momento?
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O SILÊNCIO ROUBADO
