Dinheiro Público
CÂMARA DE DOURADOS DESCOBRE QUE REFORMA DÁ GASTO E QUER NOVA SEDE
Em um estalo de genialidade fiscal, o Legislativo douradense percebe que o prédio atual — que já está em reforma e com obras paradas — não serve mais. A solução? Deixar a conta com o Previd e construir outro do zero
POR: REDAçãO PRONTO FALEI CREDITO: F. GROTT
Sabe aquela reforma interminável que você começa em casa e, no meio do caminho, percebe que gastou uma fortuna e ainda vai precisar quebrar mais parede? A Câmara Municipal de Dourados passou exatamente por isso. Mas, em vez de terminar a obra e economizar o dinheiro do contribuinte, os vereadores tiveram uma ideia muito mais "eficiente": deixar o prédio atual para lá e construir uma sede novinha em folha.
A grande revelação veio à tona após as obras na sede da Avenida Marcelino Pires completarem mais de um ano paralisadas. Só agora, depois de muito papel colado e tijolo quebrado, a Casa de Leis descobriu que a estrutura não vai comportar o futuro do Legislativo.
De acordo com a presidente da Câmara, vereadora Liandra Brambilla (PSDB), a conclusão da obra atual não seria uma "solução definitiva". O argumento é um malabarismo retórico digno de aplausos: gastar mais dinheiro construindo um prédio do zero vai, vejam só, gerar economia a longo prazo.
"Estamos buscando uma alternativa que preserve o patrimônio público e evite desperdícios", afirmou a presidente, sem esboçar um sorriso, ao explicar que a melhor forma de evitar desperdício é abandonar uma reforma pela metade.
Para não dizer que o dinheiro já investido vai direto para o ralo, a Câmara teve a generosidade de empurrar o "abacaxi" para outro bolso do próprio município. A ideia é ceder o esqueleto em obras para o Previd (Instituto de Previdência Social dos Servidores Municipais). Se o Previd vai conseguir aproveitar a estrutura ou se terá que gastar mais milhões em um novo projeto, aí já é outro problema.
ONDE SERÁ O NOVO "PALÁCIO LEGISLATIVO"?
Se o plano avançar, os vereadores vão se mudar para uma área pública bem valorizada: Esquina das ruas Joaquim Teixeira Alves e Coronel Ponciano, que tem como ponto de referência, o Parque Arnulpho Fioravante, pertinho da Guarda Municipal (o que talvez seja útil para proteger os parlamentares de eventuais protestos sobre os gastos da obra).
Enquanto isso, a Câmara garante que está promovendo "levantamentos técnicos e orçamentários" para garantir a "responsabilidade na gestão dos recursos públicos". O cidadão douradense, que assiste a tudo isso de camarote, agora aguarda os próximos capítulos para ver quanto vai custar essa brincadeira de "desiste de um, constrói outro".
