Emenda Parlamentar
BANCADA DE MS RECEBE R$ 311 MILHÕES ÀS VÉSPERAS DE ELEIÇÃO
Em ano eleitoral, governo federal acelera repasses e bate recorde histórico de liberação de verbas a parlamentares, despejando bilhões antes do prazo limite da lei
POR: REDAçãO, PRONTO FALEI. COM INFORMAçõES DO CORREIO DO ESTADO CREDITO: MONTAGEM
Nas vésperas do início das restrições da lei eleitoral (o chamado defeso eleitoral), o governo federal abriu os cofres. A bancada de Mato Grosso do Sul no Congresso Nacional — formada por 3 senadores e 8 deputados — recebeu R$ 311,27 milhões em emendas parlamentares até o início deste mês.
O valor faz parte de um recorde nacional: o governo do presidente Lula liberou R$ 33,89 bilhões em todo o país. O montante é tão alto que superou os investimentos do próprio Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que fecharam em R$ 19,65 bilhões no mesmo período.
Os dados do Portal da Transparência mostram que o Palácio do Planalto distribuiu os recursos sem olhar para partidos, beneficiando tanto aliados quanto opositores. Quem mais recebeu no estado foi o senador Nelsinho Trad (PSD), seguido pela senadora Soraya Thronicke (PSB). Na outra ponta, a senadora Tereza Cristina (PP) foi a que teve menos recursos liberados.
QUEM MAIS RECEBEU EM MS:
SENADORES:
- Nelsinho Trad (PSD): R$ 59,71 milhões
- Soraya Thronicke (PSB): R$ 51,21 milhões
- Tereza Cristina (PP): R$ 13,70 milhões
DEPUTADOS FEDERAIS (DESTAQUES):
- Rodolfo Nogueira (PL): R$ 33,41 milhões
- Dagoberto Nogueira (PP): R$ 26,42 milhões
- Dr. Luiz Ovando (PP): R$ 23,99 milhões
(Os demais deputados federais — Camila Jara, Beto Pereira, Marcos Pollon, Geraldo Resende e Vander Loubet — receberam entre R$ 15 milhões e R$ 23 milhões cada).
A pressa para liberar a verba tem motivo: a lei eleitoral proíbe a maioria das transferências voluntárias da União para estados e municípios nos meses que antecedem a votação, abrindo exceção apenas para emergências ou obras já iniciadas.
Para agilizar, o governo utilizou mecanismos como as "Emendas Pix" (repasses diretos sem necessidade de convênio) e um calendário aprovado pelo Congresso que priorizou os pagamentos no primeiro semestre. Desse modo, cerca de R$ 24,5 bilhões foram transferidos nacionalmente antes mesmo da conclusão das obras. Na prática, prefeitos e governadores ganham fôlego financeiro para tocar projetos bem no meio do período de campanha.
Em nota, a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência informou que os pagamentos seguiram a legislação atual e as regras do Supremo Tribunal Federal (STF), dependendo apenas de aprovação técnica e da disponibilidade do orçamento.
