• Terça, 29 de Setembro de 2026

PERFURAÇÃO DE SUPERPOÇOS NAS ALDEIAS DE DOURADOS DEVE LEVAR 9 MESES E REDE COMPLETA ATÉ TRÊS ANOS

POR: FABIANE DORTA CREDITO: CLARA MEDEIROS


Diretor de Operações da Sanesul, Madson Valente

A perfuração de superpoços para implantação da nova rede de água na Reserva Indígena de Dourados deve levar, pelo menos, nove meses. Depois disso, começa a implantação das demais estruturas que vão funcionar em sistemas independentes nas aldeias Jaguapiru e Bororó, para solucionar um problema de falta de água que há décadas impacta a sobrevivência da comunidade.

 

“É poço super profundo, então, algo em torno de nove meses. O restante, pelo menos, 24 a 30 meses porque são muitos quilômetros de rede, de adutoras. São obras enterradas que levam muito tempo, muita mão de obra. Então, a obra de saneamento, ela não é imediata. Ela vai gradativamente acontecendo, mas o que importa é que nós estamos gradativamente chegando ao fim. Estamos muito próximos de resolver um flagelo que é essa questão da insegurança hídrica para a comunidade indígena”, afirmou o diretor de Operações da Sanesul, Madson Valente.

 

INFRAESTRUTURA


Os trabalhos começaram há cerca de 20 dias pelo sistema da aldeia Jaguapiru, onde a perfuração acontece em um terreno às margens da via de terra que é o principal acesso à Reserva pela rodovia MS-156. A área fica antes de chegar à Escola Municipal Indígena Tegatuí Marangatu.

 

Segundo Valente, o propósito é buscar água no Aquífero Guarani, portanto cada superpoço deve chegar a 600 metros de profundidade. A previsão é de que sejam produzidos 300 mil litros de água por hora.

 

“Dentro desse espaço aqui nós teremos também o Centro de Reservação. São dois reservatórios de 500 mil litros de água que totalizam 1 milhão de litros. A mesma concepção, a mesma construção que vai acontecer aqui, também acontecerá na Bororó”, acrescenta Valente, lembrando que ainda haverá casa de química, onde a água é tratada, além de adutora, redes de distribuição e ligação nos imóveis.

 

Quando tudo estiver pronto, é feito um teste de estanqueidade para verificar se está tudo cerco e o controle de pressões. Somente ao final de todo esse processo, é que os indígenas vão ter tudo pronto para receber água em casa.

 

QUEM VAI OPERAR?


Apesar do avanço na implantação do sistema após décadas de falta de água na comunidade, ainda não há uma definição sobre quem vai fazer a operação desse sistema e nem quem vai pagar as contas de água dos imóveis das aldeias.

 

Segundo Valente, foi criado um grupo de trabalho para fazer essa discussão, mas ainda não foi chegado a um denominador sobre como isso será feito.

 

Ele pontua que a estatal assumiu a responsabilidade de construir o projeto junto com sua equipe de engenheiros, colaborando com a parceria do Governo do Estado, União e bancada federal na captação de recursos e agora faz o acompanhamento da execução que está a cargo de empresa contratada via processo licitatório pela Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos).

 

Para ele, quando a infraestrutura estiver finalizada, esta deve ser entregue pela Sanesul e Agesul à Sesai (Secretaria de Saúde Indígena) que possui um departamento dedicado a saneamento nas aldeias que seria o responsável por conduzir esse sistema.

 

“A posição da Sanesul, por hora, é fazer isso. Mas, se ocorrer uma discussão que avança no sentido de que a Sanesul assuma a operação do sistema, é isso que esse grupo de trabalho vai fazer”, esclareceu o diretor, lembrando que a rede via precisar de manutenção constante para que seja mantida em funcionamento ao longo dos anos.

 

MAIS LICITAÇÕES


A mesma empresa vai fazer a perfuração dos poços das duas aldeias, a um investimento de R$ 4,49 milhões em cada. Os recursos são do Ministério da Saúde e a execução da Agesul. Para as próximas etapas devem ser abertos outros processos licitatórios.

 

O valor total dos sistemas será de R$ 50,7 milhões. São recursos federais viabilizados através de emendas parlamentares da bancada de Mato Grosso do sul.

 

A rede de distribuição deve ser de 103,84 km na Bororó com 2,9 mil ligações domiciliares; e 80,9 km na Jaguapiru com 3 mil ligações. A estrutura seria para comportar o atendimento a 29,4 mil habitantes, considerando uma projeção populacional para 2.033.

 

Há décadas os indígenas da Reserva de Dourados não têm água suficiente para o essencial, como beber, cozinhar ou tomar banho. O abastecimento é feito com o uso de caminhões pipa.



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