Violencia Contra a Mulher
LIA NOGUEIRA DENUNCIA ATAQUES NAS REDES SOCIAIS E ALERTA PARA VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES NA POLÍTICA
Na tribuna da ALEMS, deputada afirmou que respeitar o resultado das urnas não significa aceitar perseguições, agressões e ataques às famílias
POR: RENATA RIROSSI CREDITO: DIVULGAçãO
“Podem me chamar do que quiserem, mas eu não vou baixar a cabeça. Covardia é uma palavra que nunca fez parte da minha vida.” Foi com essa fala que a deputada estadual Lia Nogueira (PSDB) ocupou a tribuna da Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (28) para denunciar os ataques que passou a receber nas redes sociais após as eleições. Ao contar o que tem enfrentado, ela também chamou a atenção para a violência sofrida por mulheres quando as diferenças políticas deixam de ser debatidas com respeito e se transformam em perseguição, humilhação e agressão.
Lia Nogueira afirmou que aceitou o resultado das urnas e respeitou a decisão da população, mas deixou claro que isso não significa ficar em silêncio diante dos abusos. Para a deputada, críticas fazem parte da vida pública, mas ataques por ela ser mulher, por sua origem ou contra sua família ultrapassam os limites de qualquer disputa política.
“Eu vim para o Parlamento pela vontade do povo e não fui reeleita. Soube respeitar o resultado. Independentemente de ideologia ou partido, precisa existir respeito”, declarou.
Durante o discurso, Lia Nogueira citou ainda o caso de duas mulheres de Dourados que, segundo o relato levado à tribuna, foram agredidas pelos próprios maridos por causa de diferenças políticas. Os casos mostram que a intolerância não está apenas nos comentários das redes sociais ou nas discussões entre candidatos. Ela também pode entrar dentro de casa e colocar em risco a segurança de mulheres que pensam de maneira diferente.
Ao falar dos ataques que recebeu, a deputada contou que um homem escreveu que, sem a reeleição, ela teria de “cozinhar agora”. Lia Nogueira respondeu que toda profissão é digna, mas explicou que a mensagem não questionava seu trabalho como parlamentar. O objetivo era diminuí-la por ser mulher. As ofensas publicadas nas redes sociais também chegaram à família e afetaram a rotina e o bem-estar dos filhos.
Para Lia Nogueira, quando a discussão deixa de tratar de ideias e passa a usar preconceitos, ameaças e ataques pessoais contra uma mulher, isso já não é crítica política. É uma forma de violência que tenta diminuir sua história, enfraquecer sua voz e causar medo em outras mulheres que desejam participar da vida pública.
Combater esse problema também exige mais mulheres nos lugares onde as decisões são tomadas. A deputada defendeu a presença de mulheres, mães atípicas, trabalhadoras e pessoas da periferia não apenas no Legislativo, mas também no Executivo e nos demais espaços de poder. Para ela, diferentes histórias e realidades precisam fazer parte das decisões que afetam a vida da população.
A trajetória de Lia Nogueira ajuda a mostrar por que essa presença é importante. Antes de se formar em Jornalismo e Direito e construir uma carreira de mais de 20 anos na comunicação, ela exerceu diferentes funções para se sustentar, entre elas as de diarista e babá. Ao ser eleita deputada estadual, tornou-se a primeira mulher vinda da periferia a conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.
“Furei uma bolha como aquela mulher improvável. Nada na minha vida veio pronto às minhas mãos. Sempre precisei cavar o meu caminho, mas cheguei até aqui pela porta da frente, com muita honra e de cabeça erguida”, afirmou.
Como mulher e mãe atípica, Lia Nogueira fez da defesa das mulheres e das famílias atípicas uma das principais bandeiras de seu mandato. Na Assembleia, manteve essas pautas em discussão, defendeu direitos e mostrou as dificuldades enfrentadas por famílias que ainda encontram pouco apoio e compreensão do poder público.
Essa defesa se torna ainda mais necessária em Mato Grosso do Sul, Estado que continua entre os que registram altos índices de violência contra a mulher. Para a deputada, enfrentar essa realidade significa combater tanto as agressões físicas quanto a perseguição, a humilhação e os ataques usados para controlar ou calar mulheres por causa de suas escolhas e opiniões.
A fala recebeu apoio de parlamentares de diferentes posições políticas. Paulo Duarte (PSDB) afirmou que os ataques mostram o ódio e o desrespeito ainda dirigidos às mulheres e destacou a amizade, a admiração e a lealdade construídas com Lia Nogueira. Ao reconhecer sua história e seu trabalho, declarou que a trajetória da deputada honra a Assembleia Legislativa.
Gleice Jane (PT) prestou solidariedade e lembrou que Lia Nogueira foi uma parceira constante das mulheres dentro da ALEMS. Ao lamentar a redução da presença feminina no Parlamento estadual, reconheceu a importância do trabalho desenvolvido pela deputada na defesa de assuntos que precisam continuar sendo tratados pela Casa.
Zeca do PT (PT) afirmou que uma trajetória política não pode ser medida apenas pelo resultado de uma eleição. Para o parlamentar, o trabalho realizado, as relações construídas e o reconhecimento conquistado por Lia Nogueira têm um valor político que permanece além das urnas.
Para encerrar, Lia Nogueira disse que os ataques não apagam sua história nem mudam as causas que sempre defendeu. Segundo ela, reagir não é apenas defender a si mesma, mas também o direito de outras mulheres entrarem na política, permanecerem nela e manifestarem suas opiniões sem medo de perseguição ou violência.
“Podem me chamar de cozinheira, porque toda profissão é digna. Podem me chamar do que quiserem, mas eu não vou baixar a cabeça. Em todas as esferas de poder precisa haver gente como a gente”, concluiu.
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