• Segunda, 19 de Outubro de 2026

COM R$ 50,7 MI NA CONTA, ESTADO DEVE LICITAR REDE DE ÁGUA DAS ALDEIAS EM ATÉ SEIS MESES


Líderes indígenas participaram de assinatura de convênio para liberar recursos para implantação da rede

Após décadas de espera pela comunidade, foi assinado nesta sexta-feira, dia 16, o convênio do Governo do Estado com a Caixa Econômica Federal para a liberação de R$ 50,7 milhões para a implantação de Sistema de Abastecimento de Água nas aldeias Jaguapiru e Bororó, na Reserva Indígena de Dourados.

Os recursos são federais, viabilizados através de emendas parlamentares da bancada de Mato Grosso do sul. A partir da assinatura do contrato com o banco, a verba vai para os cofres estaduais, o que permite à Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) dar início aos trâmites para abertura do processo de licitação para contratar a empresa que vai executar a obra.

A expectativa é de que esses trâmites licitatórios até a abertura canteiro de obras, levem entre quatro e seis meses, segundo o governador em exercício, José Carlos Barbosa, o Barbosinha. “Evidente que não é uma obra de curto prazo, essa obra ela tem com prazo de licitação e andamento, em torno de dois anos. Mas, ao menos é o início e, com certeza, para poder em algum tempo, entregar o abastecimento de água da Jaguapiru e Bororó com dignidade”, afirmou.

Governador em exercício, José Carlos Barbosa, o barbosinha, em cerimônia de assinatura do convênio

TAMANHO DA REDE


Os sistemas incluem captação por poço tubular de 150 mil litros por hora, tratamento com cloração, dois reservatórios de 500 mil litros e um de 50 mil litros elevado, além da rede de distribuição de 103,84 km na Bororó com 2,9 mil ligações domiciliares; e 80,9 km na Jaguapiru com 3 mil ligações. A estrutura seria para comportar o atendimento a 29,4 mil habitantes, considerando uma projeção populacional para 2.033.

A implantação que levará, pelo menos, 24 meses deve ser executada de forma independente, mas simultânea, nas duas aldeias. Somente quando todas as ligações estiverem prontas, é que a água começará efetivamente a ser distribuída.

“Primeiramente nós vamos perfurar os poços, fazer a ‘reservação’, as redes de distribuição e as ligações de água. No momento em que o sistema passar a operar, já é atendendo todo mundo”, explica Madson Valente, diretor de Operações da Sanesul, concessionária responsável pelo abastecimento de água e esgoto no município.

OPERAÇÃO
Foi a concessionária que ajudou a pedido do Governo do Estado, a montar o projeto da rede de água para aldeias, que foi levado à bancada federal na busca pelos recursos. No entanto, a operação do sistema ainda está indefinida.

“Operar é uma possibilidade, mas não é nada concreto”, explica Valente sobre a possibilidade desse trabalho ficar a cargo da própria Sanesul. “Há um esforço coletivo do Governo do Estado e do Governo Federal pra decidir, no futuro, de que forma vai ser essa operação”, complementa.

Madson Valente, diretor de Operações da Sanesul

“A Sanesul é uma empresa que sobrevive da cobrança de tarifa, então são assuntos administrativos que terão que ser resolvidos”, afirmou o governador em exercício, lembrando que a empresa via acompanhar o andamento da obra. “Durante esse período [de obras], nós teremos que estabelecer se a Sanesul vai ser a operadora desse sistema. Há uma conversa, um diálogo nessa direção, e nós teremos tempo hábil suficiente para poder dizer quem é que vai operar o sistema da nossa comunidade indígena”, pontuou.

Para o capitão da aldeia Jaguapiru, o indígena terena Vilmar Martins Machado da Silva, a falta de água na Reserva é “um abandono que se arrasta até hoje. Todo mundo sabe da problemática e até hoje não tomaram posição pra solucionar. Agora, daqui pra frente, a assinatura dessa ordem de serviço, significa esperança para nossas comunidades”, pontuou.

Ele lembra que atualmente os indígenas Guarani, Kaiowá e Terena que moram nas aldeias dependem de serviços paliativos, já que existem somente alguns poços em funcionamento e abastecimento com caminhões pipa. “A água é o básico que a gente tem que ter. A pessoa não ter a água para fazer o alimento dela, tomar seu banho, isso é lamentável, é desumano”, afirma.

Vilmar Machado, capitão da aldeia Jaguapiru

De acordo com o Barbosa, as medidas paliativas vão continuar até que a rede seja implantada. "Quando você entrega caminhão pipa, é reconhecimento de que não tem água. Lembrando de que essa é uma obrigação do Governo Federal que foi abraçada pelo Governo do Estado e estamos resolvendo graças ao trabalho da bancada federal", afirmou.

OUTRAS OBRAS
A assinatura do contrato foi durante uma cerimônia na sede da Regional da Sanesul, durante agenda do governador em exercício. Na ocasião, ele também fez a entrega de obras que somaram R$ 86,8 em investimentos, incluindo ligações de água e esgoto, e adequações nas estações de tratamento.

“É o direito ‘número um’ de uma pessoa ter água pra beber e o esgoto nós precisamos ampliar o esgotamento sanitário em Dourados, porque tem muitos bairros ainda que não tem esse serviço. Isso significa saúde pública”, afirmou o prefeito, Marçal Filho.

Marçal Filho, prefeito de Dourados

Antes dessa agenda, o governador esteve no distrito de Vila Vargas onde foi entregue a obra de ampliação e melhorias no prédio de atendimento ao cliente da Sanesul. Depois seguiu para uma agenda de entrega de equipamentos no Hospital da Vida.



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