• Quarta, 29 de Julho de 2026

O HISTÓRICO DE QUEDAS NA CÂMARA DE DOURADOS

POR: REDAçãO PRONTO FALEI CREDITO: ARQUIVO/ANDRé BENTO


Dourados, a "Cidade Portal do Mercosul", carrega uma cicatriz que o tempo teima em não fechar. Nos últimos 15 anos, o Palácio Jaguaribe, sede do Poder Legislativo municipal, deixou de ser apenas o palco de debates democráticos para se tornar, por diversas vezes, cenário de operações policiais cinematográficas.


A história da corrupção no legislativo douradense não é feita de casos isolados, mas de ciclos que abalaram a confiança do eleitor e redefiniram a composição da Câmara Municipal à força de mandados de prisão.


1. O TERREMOTO DA "OPERAÇÃO URAGANO" (2010)
O episódio mais traumático da história política do Mato Grosso do Sul ocorreu em setembro de 2010. A Operação Uragano, da Polícia Federal, revelou um esquema de propinas que envolvia quase toda a cúpula do governo municipal.


O IMPACTO: Naquela manhã, 9 dos 12 vereadores da época foram presos.


- OS PROTAGONISTAS: Entre os detidos estavam nomes de peso como o então presidente da Câmara, Sidlei Alves, além dos vereadores Aurélio Bonatto, Humberto Teixeira Junior, Júlio Artuzi, Paulo Henrique Bambu, José Carlos de Souza (Zezinho da Farmácia), Edivaldo Moreira, José Carlos Cimatti e Marcelo Barros.


- O ESQUEMA: Gravações feitas pelo então secretário de Governo, Eleandro Passaia, mostraram vereadores recebendo "mensalinhos" para apoiar a gestão do então prefeito Ari Artuzi (também preso na ocasião). A cidade viveu um vácuo de poder sem precedentes, sendo governada temporariamente pelo Tribunal de Justiça.


2. "OPERAÇÃO CIFRA NEGRA" (2018): CORRUPÇÃO NOS CONTRATOS
Oito anos após o trauma da Uragano, a história se repetiu sob uma nova roupagem. A Operação Cifra Negra, deflagrada pelo Ministério Público, mirou fraudes em licitações de serviços de tecnologia para a Câmara.


- OS ENVOLVIDOS: Foram presos os vereadores Idenor Machado (ex-presidente da Casa), Pedro Pepa e Cirilo Ramão.


- O MODUS OPERANDI: A investigação apontou que empresas pagavam propinas a parlamentares em troca do direcionamento de licitações. O impacto foi tão severo que os vereadores chegaram a ser afastados de suas funções, gerando uma longa batalha jurídica sobre a ocupação de suas cadeiras por suplentes.


3. "OPERAÇÃO PREGÃO" E OUTROS DESDOBRAMENTOS
Ainda em 2018, a Operação Pregão atingiu o núcleo do poder municipal. O ex-vereador e ex-prefeito de Dourados, Braz Melo, não foi preso, mas teve o mandato cassado e direitos políticos suspensos devido a condenações por improbidade administrativa. Ele enfrentou diversos processos, incluindo o desvio de verbas, resultando na perda de seu cargo na Câmara Municipal em 2018 e novamente em 2020.


O histórico de prisões em Dourados gerou um fenômeno de "limpeza compulsória". A cada grande operação, a renovação da Câmara não ocorria apenas nas urnas, mas através de decisões judiciais.


O DESAFIO DO ELEITOR
Dourados hoje tenta virar essa página. No entanto, o histórico de algemas nos corredores da Câmara serve como um lembrete constante de que a vigilância sobre o dinheiro público não pode cessar. A cidade, que é polo de desenvolvimento e agronegócio, luta para que sua imagem não seja mais associada às páginas policiais, mas ao progresso que sua gente produz.


"A história de Dourados é resiliente, mas as cicatrizes da corrupção servem para nos lembrar que o voto é a nossa única ferramenta de blindagem contra o retrocesso."

 



Ao utilizar nossos serviços, você aceita a política de monitoramento de cookies.
Para mais informações, consulte nossa política de cookies.