Dinheiro Público
CÂMARA DE DOURADOS RENOVA CONTRATO DE R$ 1 MILHÃO POR SISTEMA QUE SENADO DÁ DE GRAÇA
Herança de incompetência de Laudir Munaretto é mantida pela atual presidente Liandra Brambilla, que finge cortar gastos mas assina aditivo financeiro com a Lamper
POR: REDAçãO PRONTO FALEI CREDITO: ARQUIVO
A farra com o dinheiro do contribuinte na Câmara Municipal de Dourados ganhou mais um capítulo indignante, costurado pela continuidade de duas gestões que parecem ignorar o conceito de responsabilidade fiscal. Em meio a um histórico recente de gastos exorbitantes com diárias de vereadores, cursos, viagens e até um custoso aluguel em shopping center, a atual presidência decidiu premiar com mais dinheiro público uma empresa cujo serviço principal poderia sair a custo zero para os cofres do município.
A beneficiada da vez é a Lamper Digitalização e Sistemas, empresa sediada em Campo Grande. Na última edição do Diário Oficial, a atual presidente da Câmara, vereadora Liandra Brambilla (PSDB), assinou a renovação do Contrato 15/2022 por mais um ano.
A decisão não apenas estende o prazo até julho do ano que vem, mas também injeta mais R$ 131.195,84 ao montante original, que já era de impressionantes R$ 933 mil.
A HERANÇA BENDITA DE LAUDIR MUNARETTO
Para entender o tamanho do absurdo, é preciso voltar à raiz do problema. O contrato milionário nasceu na gestão do ex-presidente da Mesa Diretora, Laudir Munaretto. Foi sob o comando dele que a Câmara aceitou pagar uma fortuna pela locação, implantação e treinamento de um sistema legislativo eletrônico.
O que foi vendido como "modernização" na gestão de Munaretto logo se revelou um ralo de dinheiro público por pura falta de pesquisa e planejamento. Os próprios vereadores descobriram, tardiamente, que o suporte contratado a preço de ouro já era oferecido de graça pelo Senado Federal a todas as Câmaras Municipais do país.
O tamanho do prejuízo: Até que a atual gestão percebesse o óbvio, a incompetência administrativa de Munaretto já havia custado quase meio milhão de reais aos cidadãos de Dourados por um serviço que o governo federal entrega sem cobrar um único centavo, bastando apenas assinar um termo de adesão.
Se a assinatura do contrato foi um erro crasso de Laudir Munaretto, a postura da atual presidente, Liandra Brambilla, desenha um cenário de pura conivência e contradição. Pressionada pela descoberta do desperdício, Liandra chegou a rescindir unilateralmente um dos contratos com a Lamper — o do sistema SAPL, que custaria R$ 401 mil.
Porém, o teatro da economicidade parou por aí. Para tentar abafar o escândalo do erro passado, a presidente fez um jogo duplo: cancelou um contrato, mas engordou o outro com a mesma empresa, assinando o aditivo financeiro e garantindo o lucro da Lamper até o ano que vem.
CONTRATO SAPL (PREGÃO 016/2022): Rescindido (após 4 anos de atraso) Quase R$ 500 mil já desperdiçados
CONTRATO WEB (PREGÃO 010/2022): Renovado e Aditivado por Liandra Brambilla R$ 933 mil + Aditivo de R$ 131.195,84
DUAS GESTÕES, O MESMO DESRESPEITO AO CONTRIBUINTE
O caso da Lamper escancara que, na Câmara de Dourados, a troca de comando não significou mudança de mentalidade. Seja pela cegueira administrativa de Laudir Munaretto, que jogou dinheiro fora ao ignorar a plataforma gratuita do Senado, seja pelo remendo vergonhoso de Liandra Brambilla, que premia a mesma empresa com aditivos em outro contrato, o resultado é o mesmo.
Gestões Munaretto e Brambilla unidas pelo desperdício: Para a população de Dourados, as duas últimas gestões da Câmara provam que o dinheiro do povo continua sendo a menor das prioridades do Legislativo.
