• Terça, 14 de Julho de 2026

MINISTÉRIO PÚBLICO INVESTIGA BARRACOS E ROÇAS IMPROVISADAS ENTRE IVINHEMA E ANGÉLICA

Ocupação irregular às margens da MS-141 acende alerta para o risco de acidentes e danos ambientais; Ministério Público cobra respostas do Governo do Estado

FONTE: MPMS POR: REDAçãO, PRONTO FALEI CREDITO: AUTOS DA VISTORIA/REPRODUçãO


O que começou como um acampamento temporário às margens da rodovia MS-141 virou alvo de uma investigação urgente do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). A 2ª Promotoria de Justiça de Ivinhema abriu um inquérito civil para apurar a presença de construções e moradias irregulares no quilômetro 81, no trecho que liga os municípios de Ivinhema e Angélica.


O objetivo do órgão é claro: desatar o nó de uma ocupação que se arrasta há anos, trazendo riscos reais para motoristas e pedestres que passam pela região diariamente.


A investigação ganhou força após vistorias da Polícia Militar Ambiental revelarem a realidade do trecho:

- Barracos na faixa de segurança: Diversas estruturas foram montadas na chamada "faixa de domínio" da rodovia — a área lateral que, por lei, deve ficar livre para garantir a visibilidade e o escape de veículos em caso de emergência.

- Plantações de subsistência: Investigadores encontraram pátios limpos e pequenas plantações de mandioca, cana e árvores frutíferas.

-Histórico de exploração: Duas pessoas identificadas no local afirmaram que usam a área há mais de uma década para sobreviver. Elas revelaram que, no início da ocupação, um suposto líder cobrava mensalidades dos ocupantes para que pudessem ficar ali.


A maior parte da ocupação está em solo público, mas algumas plantações invadiram uma propriedade privada vizinha. Embora a polícia não tenha encontrado crimes ambientais graves até o momento (como desmatamento de florestas ou destruição de nascentes), a ilegalidade da situação preocupa as autoridades.


"As margens das rodovias existem por um motivo: garantir que os motoristas tenham segurança e que o meio ambiente seja preservado. Elas não podem ser usadas para fins particulares", explica o Promotor de Justiça Allan Thiago Barbosa Arakaki.


A falta de planejamento e a presença de pessoas e animais tão perto de uma rodovia movimentada criam um cenário propício para acidentes graves. Além disso, a omissão do poder público na fiscalização abre brechas para que o problema cresça de forma desordenada.


O MPMS deu um ultimato e determinou as seguintes ações imediatas: O Governo do Estado de MS terá que apresentar plano de regularização ou desocupação da área e a Agesul Esclarecer se houve qualquer autorização para as construções e a Assistência Social (SAS) Cadastrar e identificar as famílias que vivem no local para dar o suporte necessário.


Embora a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) tenha alegado em uma vistoria recente que os barracos parecem vazios e sem uso ativo, o Ministério Público rebateu. Para o promotor, o fato de o problema persistir há anos sem uma solução definitiva exige uma atitude enérgica e imediata do poder público antes que uma tragédia aconteça.

 



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