• Segunda, 13 de Julho de 2026

DA ALDEIA IMBIRUSSU PARA O TOPO DO PAÍS: CONHEÇA A TRAJETÓRIA HISTÓRICA DO PRIMEIRO AUDITOR INDÍGENA DO TCU

Terena passa em concurso do TCU e leva o nome da comunidade para Brasília

POR: REDAçãO, PRONTO FALEI CREDITO: ARQUIVO PESSOAL


A história do Brasil ganha um capítulo inesquecível no próximo dia 31 de julho. Quando Guaraci Mendes da Silva assinar sua posse na sede do Tribunal de Contas da União (TCU), em Brasília, ele não estará assinando apenas o próprio nome. Estará carregando a ancestralidade, a força e a voz de todo o povo Terena para dentro de uma das mais altas instâncias da República.


Nascido na aldeia Imbirussu, localizada na Terra Indígena de Taunay-Ipegue, Guaraci fez história ao se tornar o primeiro auditor indígena do TCU.


"O primeiro de muitos, espero. E trabalharei para isso", afirma, ciente do peso e da beleza de sua conquista.


Aos 38 anos, o novo auditor do TCU já soma duas décadas de dedicação ao serviço público. Sua trajetória é marcada por passagens marcantes pelo Banco do Brasil em Curitiba, pela Funai no Maranhão e pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul. No entanto, o caminho até o topo não foi trilhado sozinho.


Por trás dos livros, das três faculdades e das cinco pós-graduações concluídas por Guaraci, existe uma base sólida feita de amor e sacrifício familiar. Casado e pai de três filhos pequenos — que carregam com orgulho o sangue Terena —, ele faz questão de dividir o mérito da vitória com quem esteve ao seu lado nos momentos mais silenciosos e difíceis.


Para que as longas horas de estudo fossem possíveis, sua esposa e seus filhos abriram mão de momentos de lazer, de recursos e do convívio diário. "Sou muito grato por isso", emociona-se o auditor, reconhecendo que cada página virada foi um esforço coletivo.


Além de sua sólida bagagem acadêmica e profissional, Guaraci sempre manteve os pés e o coração conectados às suas origens. Atuou como conselheiro no Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi) e no Conselho Municipal dos Direitos e Defesa dos Povos Indígenas (CMDDI), defendendo de perto a sua comunidade.


Para ele, assumir uma vaga no TCU é uma vitória coletiva que ecoa a luta dos antigos caciques e lideranças tradicionais — homens e mulheres que, mesmo sem estudo formal ou recursos, enfrentaram barreiras para que as novas gerações pudessem voar mais alto.


O IMPACTO DA CONQUISTA

Ocupar espaços onde as grandes decisões são tomadas, garantir que os recursos destinados aos povos originários sejam aplicados com transparência e eficácia, mostrar às crianças da aldeia Imbirussu e de todo o Brasil que os seus sonhos não têm limites.


"Como dizem nossas lideranças tradicionais: não podem tratar da gente sem a gente. Hoje colhemos os frutos da luta dessas lideranças. É nosso dever fazer jus e retribuir ao nosso povo essa honra, de poder representá-los onde estivermos" — Guaraci Mendes da Silva Terena


Guaraci chega a Brasília não para se isolar no poder, mas para erguer uma ponte. Sua vitória prova que o lugar do indígena é em qualquer lugar que ele escolher estar — inclusive auditando as contas da nação, com a cabeça no futuro e o coração fincado na própria terra. Guaraci Mendes da Silva honra o seu povo, e hoje, o Brasil inteiro aplaude a sua história.

 



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