• Sexta, 07 de Agosto de 2026

CANETADA DA VERGONHA: GOVERNO EXCLUI MÚSICOS REGIONAIS DO MAIOR FESTIVAL DE MS

POR: REDAçãO, PRONTO FALEI CREDITO: ARQUIVO/REPRODUçãO


Almir Sater

Uma decisão vergonhosa do governo estadual está gerando revolta e muita tristeza no meio cultural. O edital para selecionar os artistas locais do Festival de Inverno de Bonito conseguiu o inacreditável: apagou do mapa a própria música que faz de Mato Grosso do Sul um lugar único no Brasil. É um retrato doloroso do desprezo público com a nossa história.

 

Ao limitar as inscrições a gêneros comerciais como sertanejo, MPB, samba, forró e pagode, a gestão estadual deixou de fora as nossas maiores riquezas: o chamamé, a guarânia, a polca paraguaia, o rasqueado e a pura música pantaneira. Como é possível fazer o maior festival do Estado e simplesmente ignorar o som da nossa terra? A mensagem implícita é triste e humilhante: para subir ao palco em Bonito, o artista precisa esconder suas raízes.

 

A MERCANTILIZAÇÃO DO NOSSO PATRIMÔNIO

Enquanto outros estados morrem de orgulho e investem pesado para proteger sua cultura, o governo de MS prefere copiar a programação genérica do restante do país. Lendas que levaram o nome do Estado para o mundo como Almir Sater, Tetê Espíndola, Geraldo Espíndola, Delinha e Dino Rocha, construíram suas carreiras justamente valorizando a nossa fronteira e a nossa identidade. Hoje, a atual gestão trata esse legado como mero detalhe descartável.

 

Essa falha grave não vem sozinha. O descaso fica evidente com a mudança confusa das datas do evento e o esvaziamento de outros projetos importantes, como o Festival América do Sul. O Estado falha miseravelmente no seu dever básico de valorizar o próprio povo.

 

UM APAGÃO CULTURAL PROGRAMADO

Quando o poder público tira a música regional dos grandes palcos, ele condena a nossa tradição ao esquecimento. O chamamé e o rasqueado não são peças de museu; são a alma viva do povo sul-mato-grossense.

 

A pergunta que fica no ar é devastadora: se o próprio governo não valoriza e não protege a nossa música, quem vai proteger? A nossa identidade não morre de uma vez, ela vai sendo apagada canetada por canetada, edital por edital, até não sobrar mais nada.

 

 



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