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CAMPO GRANDE LANÇA MODA 'FARDA DE FACHADA' PARA GUARDAS MUNICIPAIS
POR: REDAçãO, PRONTO FALEI. COM INFORMAçõES DO TOPMIDIANEWS CREDITO: ARQUIVO TOPMíDIANEWS
Em um esforço digno de premiação por cenografia urbana, a Prefeitura de Campo Grande parece ter encontrado a solução definitiva para o problema do fardamento da Guarda Civil Metropolitana (GCM), a tática do "para inglês ver", ou melhor, para o eleitor ver na avenida.
Uma denúncia revelada ao TopMídiaNews escancarou o figurino dos bastidores, dos milhares de agentes que garantem a segurança da capital, apenas cerca de 300 privilegiados receberão o novo fardamento. O critério de seleção? Estar escalado para marchar no pomposo desfile de 26 de agosto, aniversário da cidade.
Para o restante do efetivo, a orientação implícita parece ser uma só: preparem a agulha, a linha e continuem a gloriosa tradição da "alta costura do remendo".
A prova das roupas novas começou no fim de julho para o elenco de apoio do evento oficial. A convocação de 311 guardas para os ensaios gerais nos dias 24 e 25 já foi devidamente carimbada no Diário Oficial (Diogrande).
O figurino exigido é completo: calça, gandola, coturno, cobertura azul, colete operacional e cinto de guarnição. Tudo novinho em folha para sair bonito na foto. Enquanto isso, quem estiver patrulhando os bairros no dia a dia continuará envergando a coleção "Outono/Inverno 2021", afinal, a corporação já está há cerca de três longos anos sem receber novas peças de fardamento.
"Somente os guardas que irão desfilar no dia 26 de agosto receberão a farda nova. Os outros continuam tendo que remendar roupa para ir trabalhar. Isso não existe", desabafou a denunciante.
A grande jogada de marketing, segundo os servidores, é cristalina: vender à população a ilusão de uma corporação 100% reequipada, embalada pelo ritmo da fanfarra.
SALÁRIO PARCELADO E O MISTERIOSO 'CONTRACHEQUE FANTASMA'
Se o visual do patrulhamento diário está desbotado, a situação financeira dos agentes consegue ser ainda mais dramática. A farda puída é apenas a ponta do iceberg de uma lista de desrespeitos trabalhistas: O reajuste salarial parcelado, prometido com pompa pela administração municipal, simplesmente não deu as caras no contracheque deste mês.
Relatos apontam descontos de parcelas de empréstimos (como do Banco Master) que já haviam sido cancelados pelos servidores e taxas do auxílio-cônjuge do IMPCG continuam sendo cobradas na folha de pagamento, mesmo após os cancelamentos solicitados no início do ano, empurrando os guardas para uma debandada geral do instituto.
Entre botões caindo, panos puídos e contracheques misteriosamente encolhidos, a GCM de Campo Grande vai para a avenida. Resta saber se, quando a poeira do desfile baixar e as fardas reluzentes forem guardadas no armário, a segurança pública continuará sendo tratada como mero adereço de festa.
O espaço segue aberto para que a Prefeitura de Campo Grande e os órgãos citados se manifestem, de preferência, com uniformes novos para todo mundo.
