FEMINICIDIO
POR TRÁS DAS FOTOS DE AMOR, O FIM TRÁGICO DE UMA VIDA EM FAMÍLIA
POR: REDAçãO, PRONTO FALEI CREDITO: REPRODUçãO/REDES SOCIAIS
Nas redes sociais, o retrato parecia o de uma história perfeita: sorrisos registrados em fotos de viagens, trocas de carinho públicas e declarações apaixonadas. "Mulher da minha vida", escreveu Joel Escócia Carvalho, de 59 anos, para a esposa Terezinha Nantes de Arruda, de 54.
Para quem olhava de fora, era a imagem de um casamento sólido, construído ao longo de três décadas. Mas, entre as quatro paredes da casa onde moravam no bairro Vila Bandeirante, em Campo Grande, o amor que ele dizia sentir deu lugar ao horror.
Na manhã desta segunda-feira, a promessa de vida longa juntos foi destruída de forma cruel e definitiva. Terezinha foi morta a facadas pelo próprio marido. Logo em seguida, Joel tirou a própria vida.
Terezinha era uma mulher querida e respeitada. Filha de um tradicional empresário de Sidrolândia, cidade a cerca de 70 km da capital, ela carregava o sobrenome de uma das famílias mais conhecidas e antigas da região. A notícia da tragédia atravessou a estrada e deixou a comunidade onde ela cresceu em completo choque e silêncio.
Ninguém conseguia entender como uma história que durou 30 anos pôde terminar banhada em sangue.
Enquanto a internet guardava as frases bonitas e os elogios expostos por Joel, a realidade longe das telas era dolorosa. O casal estava enfrentando um processo de separação, um fim de ciclo que ele se recusou a aceitar.
A Polícia Civil revelou que o crime não foi uma explosão momentânea de raiva, mas algo frio e planejado. Antes de atacar a esposa, Joel enviou uma mensagem de áudio para o próprio filho e para um amigo, anunciando a despedida e antecipando o pesadelo que estava prestes a cometer.
"Não havia nenhum registro anterior de violência doméstica, nem pedido de medida protetiva", explicou a delegada Larissa Franco, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).
O silêncio das redes sociais escondeu o perigo até o último segundo.
Hoje, o silêncio que sobrou na residência do casal na Vila Bandeirante não é mais o da rotina diária, mas o da ausência irreparável. Uma família chora a perda de Terezinha, uma mulher arrancada da vida por quem jurou protegê-la.
A tragédia deixa um alerta doloroso para toda a sociedade: nem todas as declarações de amor refletem a verdade, e a violência, por vezes, se esconde atrás do mais belo dos sorrisos.
