Corrupção
EM PORTO MURTINHO, PRESIDENTE DE CÂMARA DOBRA SALÁRIO COM DIÁRIAS E VIRA ALVO DO MINISTÉRIO PÚBLICO
Enquanto milhões de brasileiros lutam para fechar a conta no fim do mês, bastidores do legislativo municipal revelam um esquema escancarado de sobrefaturamento legalizado — com destaque emblemático para o caso de Porto Murtinho
POR: REDAçãO, PRONTO FALEI CREDITO: ARQUIVO
O uso desmedido de recursos públicos sob o pretexto de "ressarcimento por viagens a trabalho" tornou-se uma das práticas mais vergonhosas e recorrentes no legislativo municipal brasileiro. Disfarçadas de despesas administrativas, as famosas diárias parlamentares viraram uma verdadeira indústria de complementação de renda em quase todas as câmaras de vereadores do país, lesando cofres públicos à vista de todos.
O caso mais recente a escancarar essa manobra vem do interior de Mato Grosso do Sul, no município de Porto Murtinho, e virou alvo definitivo do Ministério Público Estadual (MPMS).
Sob a condução da promotora Dafne Prado Sabag, a denúncia de gastos exorbitantes na Câmara Municipal deixou de ser mera suspeita e transformou-se em procedimento preparatório. No centro do furacão está a presidente da Casa, Sirley Pacheco, ao lado da diretora-geral, Giovana Froes.
Os números expõem um padrão estarrecedor entre janeiro e setembro de 2025:
SIRLEY PACHECO (PRESIDENTE DA CÂMARA):
- Valor embolsado: R$ 92,4 mil apenas em diárias.
- Volume: 56 diárias em 9 meses — o equivalente a uma diária a cada 4,8 dias.
As diárias geraram uma média de R$ 10,2 mil mensais. O montante superou o seu próprio salário de vereadora, que era de R$ 9.901,91.
GIOVANA FROES (DIRETORA-GERAL):
- Valor embolsado: R$ 33.004,49 em 42 diárias.
- Impacto: Um "bônus" mensal médio de R$ 3,6 mil — engordando seu vencimento base (de R$ 7,3 mil) em cerca de 50%.
A situação investigada em Porto Murtinho não é um ponto fora da curva, mas sim um sintoma de uma doença crônica nacional. De norte a sul do Brasil, o "turismo parlamentar" funciona como um mecanismo imoral para engordar holerites sem a necessidade de reajustes salariais diretos — evitando, assim, o desgaste político imediato perante a opinião pública.
Enquanto a população enfrenta serviços essenciais sucateados, a rotina de deslocamentos questionáveis e viagens sem comprovação efetiva de retorno para a sociedade segue sangrando o orçamento municipal.
Com a atuação rigorosa do Ministério Público, o caso de Porto Murtinho acende um alerta necessário: a sociedade não tolera mais que o dinheiro público seja usado para bancar privilégios travestidos de rotina de trabalho.
